Na infindável guerra contra as organizações criminosas de tráfico de drogas o governo de São Paulo mostra a ineficiência de suas políticas de segurança pública, que não começou hoje. Depois de criticar o governo federal por não ajudar nas suas ações de extrema força policial, Alckmin e José Eduardo Cardozo - Ministro da Justiça - firmaram um acordo para uma ação conjunta no combate à violência. Enquanto isso, estudos mostram migração dos criminosos para outros estados, como Santa Catarina.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
A guerra que já foi longe demais – Parte 2
O post de hoje é uma
continuação do post de ontem que começou com a intenção de falar sobre a guerra
ao tráfico e os problemas que causam, mas eu acabei falando somente da
macaconha. Isso que dá fazer posts drogado. Só estou brincando, não fiz o post
drogado, eu não uso drogas, só facebook às vezes. Bem, o combate ao tráfico de
entorpecentes como é feito atualmnte é muito custoso e não só em termos de
dinheiro mas também em termos de vidas.
É comum hoje as pessoas dizerem
frases como “Bandido bom é bandido morto”, aplaudirem quando aparece na
televisão que policiais mataram não sei quantos bandidos, esbravejar indignadas
quando um criminoso vai a julgamento que nosso sistema judicial é lento e só
serve para colocar bandido na rua. É completamente compreensível porque fazem
isso, afinal ninguém quer ser assaltado no caminho para o trabalho nem ter o
filho ou amigo vítima da violência de um bandido. Além disso, é compreensível
também porque o policial faz, afinal bandido não vai simplesmente sair com as
mãos para cima e se render e durante a troca de tiros tanto bandidos quanto
policias acabam feridos ou mortos. Agora, temos que parar de enaltecer essas
tragédias como algo bom, bandido ou não, alguém morto não é algo para se
festejar, muito menos desejar.
O nosso sistema judicial, o
direito de ampla defesa, de um julgamento justo, não é uma panacéia para
colocar bandido na rua. Ter vigilantes armados guardando as ruas, atirando
antes de perguntar, subindo morros para executar vingança não é um sistema de
justiça. Se preferirmos isso, então podemos queimar nossa Constituição, trocar
o nome do Tribunal de Justiça para Tribunal de Vingança. “Olho por olho, dente
por dente”, ou o novo matou merece morrer, não é justiça em nenhuma sociedade
civilizada.
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| Na realidade a tarefa de perdoá-los cabe a um júri de seus semelhantes. |
Como eu disse eu entendo porque
a sociedade de certa forma acha esses eventos aceitáveis, o medo. Mas se o medo
nos faz cego ele deixa de ser útil e passa a ser prejudicial. Em 1964 o medo de
um golpe comunista no nosso país fez a sociedade aceitar os militares no poder,
trocamos nossa liberdade por segurança e foi algo bom? Não se troca diretos
fundamentais como vida e liberdade por segurança, não os troca por nada porque
não há nada mais valioso. Se você ainda estiver pensando, mas são apenas
bandidos eles não deviam ter tantos direitos quanto eu. Se um direito fundamental
é negado a uma pessoa ele é negado a todos, assim que se abre uma excessão
perde-se o controle, não há como prever quem será a próxima vítima de
intolerância.
Como podemos esperar construir
uma sociedade melhor se enaltecemos a prática dos mesmos crimes que estamos
punindo contra os criminosos? Você realmente quer paz e segurança construídos
em cima de assassinatos e torturas? Não estamos melhorando ao decaírmos ao
nível dos bandidos, estamos nos tornando justamente o que odiamos. Eu sei que é
difícil ver cenas como um menino sendo arrastado pelas ruas amarrado nas rodas
de um carro e não desejar a morte do criminoso, mas lembre-se, ele é o
criminoso e não nós, não devemos nos tornar pior do que ele só para puní-lo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A guerra que já foi longe demais
Quando vemos as operações policiais
contra os traficantes, principalmente nas favelas do Rio de Janeiro, inflama na
sociedade o sentimento de que criminosos devem ser punidos – isso na maioria
das vezes significa que devam ser mortos – e, principalmente, que essas
operações trarão segurança para a cidade. Mas, quais os reais resultados dessa
guerra de décadas contra as drogas ilícitas e mais qual o verdadeiro efeito que
o uso delas causa no organismo humano?
Essas perguntas têm sido muito
mal respondidas e a maioria das pessoas desconhece os verdadeiros efeitos e
perigos que as drogas causam. Os seres humanos sempre usaram algum tipo de
psicodélicos na vida, não existe uma única pessoa que nunca usou uma droga na
vida. A droga exerceu, e ainda exerce, um papel fundamental na sociedade
humana, principalmente em rituais religiosos, para entretenimento e por
questões de saúde. Já imaginou um casamento sem álcool, um sacerdote indígena
tendo revelações sem usar uma droga psicodélica ou alguém com dor sem usar um
analgésico? Contudo, existem drogas que são condenadas pela opinião pública,
dizem que viciam e podem colocar o usuário e as pessoas próximas em risco.
Quanto dessa informação é realmente verdadeira? Em que estudos científicos elas
se baseam?
O maior vilão atual, tirando o
cigarro que apesar de ser legalizado seus usuários sofrem duras restrições ao
seu uso, é a maconha. Até recentemente, usuários de drogas eram tratados como
criminosos e estavam sujeitos a punições legais. Na formulação do novo Código
Penal, assim como nas recentes decisões dos tribunais, usuários não serão mais
criminalizados. O que é preciso enteder é que a guerra ao tráfico, como vem
sendo abordada, mostrou-se ineficaz. Conquistas de morros por policiais e
militares são mostradas como grande vitória, mas não fizeram a criminalidade
diminuir, só a fez aumentar em outros locais. Caçar criminosos como animais não
é a solução e muito menos é tratar usuários como criminosos. Países como Suécia
há alguns anos passaram a tratar usuários como casos de saúde pública e, ao
invés de prendê-los, disponibilizam locais devidamente higienizados para
consumo de drogas com menos riscos à saúde. O que no Brasil seria visto como
uma política para ajudar vagabundos. Na Holanda o consumo da maconha foi
permitido e nem por isso o país se degenerou para um antro de drogados.
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| Vítimas da guerra ao tráfico. Tem que haver uma maneira melhor do que essa. |
Você pode perguntar: mas usar
drogas não faz mal para a saúde? Por que deveria ser permitido algo que faz mal
para você? Como eu já disse no início do texto, não existe uma única pessoa que
não usou droga na vida. Você acha que a aspirina que você ingere para curar
aquela dor de cabeça do estresse diário é menos nociva do que a cocaína? Bem,
pense de novo, porque o princípio ativo de que é feita a aspirina é justamente
a cocaína. Como qualquer médico irá te dizer, todo medicamento, se usado em
dosagens inadequadas a você, pode ser fatal. A mesma coisa vale para as drogas
psicoativas. Portanto, a questão não é ter medo do seu efeito e repudiá-las
totalmente, o ponto é aprender a conviver com elas e com seus usuários. Estudos
mostram que a maconha é, comparativamente, menos prejudicial do que o tabaco e
o álcool, e que, se corretamente usada, uma pessoa adulta dificilmente sofrerá
algum efeito colateral. Mas é lógico que ninguém ouve falar desses estudos,
porque os cientistas que os fazem são rigidamente sensurados pela comunidade
científica e pelos governos.
Os efeitos medicinais da
maconha já são conhecidos, tanto é que em alguns locais ela já vem sendo
empregada para reduzir os efeitos da quimioterapia durante o tratamento de
câncer. Porém, sua utilidade transcede o uso medicinal, e também o recreativo. A
maconha pode ser usada na produção de cremes e loções – importantes na
indústria de cosméticos, bio-plástico pode ser feito a partir dessa plantas
também. Feiras dedicadas a esse assunto, e a mostrar as novas possibilidades do
uso da planta, são realizadas em vários países na Europa.
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| Refrigerantes a base da maconha |
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| Hidratante a base de maconha. |
O que é preciso são verdareiras camapnhas de conscientização da população sobre os reais efeitos das drogas. Algumas continuam ilegais porque as pessoas não são devidamente informadas sobre elas e recebem informações erradas e manipuladas. A guerra ao tráfico como ação policial fracassou, é um custo excessivo, não só de dinheiro, mas de vidas também.
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Se você quiser saber mais recomendo esse documentário, dividido em 6 partes.
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