Raramente na história da
humanidade houve períodos em que existiram mais de uma potência dominando o
mundo e a maioria desses períodos foram de transição. Lembre-se o período do
colonialismo em que Portugal e Espanha dividiam o mundo entre si, depois
seguiu-se um período em que vários países europeus desenvolveram-se
industrialmente, mas esse foi um período de transição e, após a Segunda Guerra
Mundial, o mundo foi, novamente, disputado por duas super potências, Estados
Unidos e União Soviética. Após o declínio da URSS emergiu um mundo multipolar
novamente, os países europeus estavam fortes economicamente graças à União
Européia e os países em desenvolvimento, os chamados BRICS, estavam também
fortalecendo. Contudo, se seguirmos o exemplo da história esse período será
transitório em direção a uma nova bipolaridade do mundo. Hoje dois sistemas
econômicos destacam-se no cenário mundial: o velho capitalismo liberal dos
Estados Unidos e o capitalismo comunista da China. O quadro de medalhas é um
reflexo desse dualismo, no período da guerra fria as olímpiadas também
refletiam a disputa entre as duas potências. Mas qual sistema será dominante,
qual é melhor ou será que nenhum deles é melhor.
Quadro de medalhas - China e EUA na liderança |
O crescimento da China é
realmente impressionante, muito a frente de qualquer outro país em
desenvolvimento e de muitos países desenvolvidos por sinal. Um país que no auge
da crise imobiliária tinha crescimentos de 14%. Sem falar que ela é hoje um dos
maiores credores dos Estados Unidos. Mas como esse espantoso crescimento vem
sendo alcançado? Todos ouvimos falar de como os trabalhadores chineses
trabalham em regime de quase escravidão e como as empresas americanas
aproveitam isso para poderem vender iPads por trezentos dólares a americanos.
Além disso o descuido com o meio ambiente, todos lembram dos chineses com
máscaras proteras em Pequim. Em governos não democráticos o crescimento
econômico raramente vem junto com transformações sociais, veja o “milagre
econômico” do Brasil durante o regime militar. Regimes assim conseguem ver as
coisas feitas com rapidez porque não discutem opções diferentes da defendida
pelo governo, mas nem sempre o governo tem razão.
Chineses com máscara de gás; poluição na China |
Muitos acreditam que o sistema
econômico dos Estados Unidos é falido e ultrapassado, principalmente devido às
recentes crises que sofreu. Contudo, julgar um sistema pelas suas falhas é
injusto e simplesmente dizer que fracassou e defender outro sistema pode deixar
de considerar vários pontos positivos do capitalismo americano. O capitalismo
fracassado é o da década de 1920, em que o governo é uma figura de enfeite que
deixa as pessoas fazerem o que quiserem, época em que uma empresa férrea lucrava
mais não produzindo trens do que os produzindo. A especulação sem regulação. Contudo,
os Estados Unidos é uma democracia – por mais que você seja um anti-americano e
discorde disso – e existe discussão de ideias e projetos diferentes. Apesar de
não haver ninguém de destaque defendendo sistemas como comunismo na américa, no
máximo um capitalismo com características mais sociais como o governo de Obama,
não veja isso pelo lado ruim, sonhar com um sistema que irá acabar com todas as
injustiças não é só um delírio, como contrário a todas as características dos
seres humanos. As mudanças em um sistema democrático podem ser lentas, mas elas
acontecem, a crise no governo Bush foi um retrocesso a práticas econômicas já
conhecidas por serem ineficientes.
Operadores da Bovespa nervosos durante crise |
Um sistema de sucesso tem que
permitir a livre discussão de ideias, o papel do governo não pode ser
ditatorial regulando o que se deve pensar, como se deve agir, mesmo que se
acredite que estejam fazendo pelo bem geral. Contudo, não é o governo do
neoliberalismo, a mão invisível que deixa o mercado livre, é necessário haver
regulações, para que as pessoas não pensem demais em si mesmas e esqueçam das
outras pessoas. Um país para ser economicamente desenvolvido deve investir na
sua classe média, uma classe média forte, consumindo, enriquece as classes mais
altas que geram empregos para as classes mais baixas.
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