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domingo, 5 de agosto de 2012

A hipocrisia das Olimpíadas


Ah, as Olimpíadas... Perdendo para muitos apenas para a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos são um dos maiores eventos internacionais, em que milhares de atletas participam de várias competições em busca da perfeição. Atualmente os jogos são realizados de quatro em quatro anos, e levam mais de dez mil atletas, de cerca de duzentos paízes, para disputar nada menos que 928 medalhas.

Marcados por vitórias e derrotas, superações e decepções, os Jogos Olímpicos levam o ser humano ao seu limite e, a cada prova, paradigmas são quebrados e, com eles, alguns recordes olímpicos e mundiais, levando sentimentos de euforia, satisfação e até mesmo surpresa não só para os atletas, mas também para os torcedores, que acompanham os jogos pelo mundo todo (ou quase).

O Brasil nunca foi uma potência olímpica, mas sempre teve seus destaques: no vôlei, na vela e judô, por exemplo. Mas a pressão que existe em cima dos atletas brasileiros é algo curioso e até revoltante. Nesses últimos dias vi várias pessoas, e principalmente a mídia, tratando a derrota, ou melhor, o fato do Cesar Cielo não ter conseguido pegar medalha na prova dos 100 Metros Livres da Natação, porque de derrota aquilo não tem nada, como algo decepcionante. Estavam indignados com esse fato e desmerecendo não só ele, mas os demais atletas brasileiros que não conseguiram alcançar o tão almeijado pódio, como Diego Hypólito ou Daiane dos Santos da Ginática Olímpica.

Pois bem, vamos analisar os fatos. Vivemos no país do futebol, e todos sabemos do dinheiro e atenção que é investido todos os anos nessa modalidade. Os atletas de ponta do futebol brasileiro contam com todo o apoio não só finaceiro, mas também moral da esmagadora maioria da população, o que é comprovado pelo fato de o novo corte de cabelo do Neymar fazer mais sucesso que a obtenção do índice olímpico por algum atleta de qualquer outra modalidade. Entretanto, poucas pessoas sabem realmente como é a vida dos atletas não futebolísticos do Brasil. Ninguém se importa como são as condições de treinamento, ou pior, se eles têm onde treinar. Quem não se lembra de que há um tempo a ginasta Daniele Hypólito estava quase impossibilitada de treinar por falta de recursos e patrocínios? Acho que poucos sem lembram, né?  E ainda se sentem no direito de exigir uma medalha dos atletas? Com o incentivo que recebem, eles fazem muito em ir para as olimpíadas. Poucos dão o devido valor, por exempro, ao ginasta Sérgio Sasaki. Conseguiu medalha? Não. Ficou apenas em 10º lugar no individual geral. Nada para se vangloriar, a não ser o fato de ser o melhor resultado de um brasileiro na modalidade. Ou por exemplo a judoca Maria Portela, que foi eliminada logo na primeira luta e se diz envergonhada. Mas envergonhada por quê? Por ter a oportunidade de representar o Brasil em um lugar onde poucos conseguem estar? Ou por ninguém saber de sua existência e a tratar com decepção por não ter conseguido medalha?

O esporte no Brasil está longe do patamar das grandes potências olímpicas. Não por falta de talentos, mas por falta de incentivos. Se uma pequena parte dos recursos destinados ao futebol, esse sim com a obrigação de conquistar nada menos que o ouro em Londres, fossem redirecionados para outras práticas esportivas, esse cenário seria bem diferente. 

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Este texto foi enviado pelo leitor Luíz Felipe Ferrão e é de sua autoria. Obrigado pela ajuda neste blog, continue acompanhando. :)


sábado, 4 de agosto de 2012

Admirável Mundo Novo


Rafinha Bastos, o comediante conhecido pela sua piada de comer bebes e outras piadas piores, disse em entrevista no Roda Viva que o CQC virou um programa de bundões. Marcelo Tas respondeu dizendo que Rafinha é muito imaturo e deveria crescer (apesar dele já ter dois metros de altura). Esperar seriedade de um comediante é como esperar senso de humor de um comentarista de futebol global, ou mesmo esperar que ele comente um jogo bem.











Não deve ser um brasileiro
Brasil ganha mais medalhas nas Olimpíadas do que a média de leitura dos brasileiros. A média de leitura do brasileiro é de 2 livros por ano, segundo o IBGE, e o Brasil já ganhou 6 medalhas no total nas Olimpíadas de Londres. Apesar de apenas uma ser de ouro, os atletas e torcedores estão felizes com mais essa superação.










Criminosas de alta periculosidade. Devem ser mantidas longe de violão

O ditador russo “democraticamente” eleito, Vladimir Putin diz não querer uma pena muito severa às integrantes da banda Punk que fizeram uma música pedindo à Nossa Senhora para tirá-lo do governo. “Só a pena de morte será suficiente, não precisa torturar não.” Declarou enquanto ainda estava em Londres. Bem a Rússia pode ter abandonado o regime ditatorial, mas o regime ditatorial não abandonou a Rússia.




Mitt Romney típico americano, sabe tudo de geografia.


Depois de atrair o ódio de londrinos, ao questionar se Londres estava preparada para sediar as olimpíadas, o candidato à presidente dos EUA pelo partido dos anencéfalos Republicanos, Mitt Romney, ainda não consegue explicar de onde vem o dinheiro que lucro quando ainda fazia parte do governo Bush. O rei das gaffes internacionais ganhou milhões de dólares e só pagou 14% de impostos, muito menos que a maior parte da classe média americana. Corte de impostos para milionários faz tanto sentido quanto pagar agricultores para não produzir nada.







Agora é possível se declarar doador de órgãos pelo Facebook. A nova funcionalidade é o começo de um projeto para substituir todos os documentos do cidadão pela sua conta da rede social. No futuro ninguém mais terá RG ou CPF, apenas sua conta no facebook será suficiente para identificá-lo. Aos ainda usuários do orkut o governo estuda a criação do Bolsa Orkut, para ajudá-los a terem melhores condições de vida “social”.




Bill Maher, clique para ir ao post do blog




E por último, o comediante americano e apresentador do Real Time, Bill Maher, escreveu em seu blog falando do sucesso dos programas assistencialistas, as famosas Bolsas, do governo brasileiro. Você já pode perceber que ele não entende nada do Brasil pelo título, Rio de Dinero; Bill, Bill, nós falamos português aqui e não espanhol. Ao longo do texto ele mostra o abrangente conhecimento de geografia de todo norte-americano chamando aqui de banana country(país da banana). Mais adiante ele admite que não conhece bem o país, bem Bill Maher você não conhece nada do país, deixe-me contar sobre o espantoso crescimento brasileiro nos últimos anos. É verdade que uma coisa que falta às pessoas mais pobres é dinheiro e que dá-lo resolveria alguns de seus problemas mais imediatos, mas o que é realmente riqueza? Esse papel que você carrega na sua carteira para cima e para baixo, que usa para comprar seu sustento, é só um pedaço de papel. Pode ser muito cobiçado por ter a assinatura do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central, mas é só um papel. O que importa realmente é o que dá valor a esse papel, crescimento econômico. Agora é natural que o os estrangeiros achem que o Brasil está em uma fase excelente, com pobre ficando ricos, pessoas que antes não tinham condições de entrarem nas universidades se formando, afinal o que Lula mais fez no seu primeiro mandato foi viajar e dizer quão bom seu governo estava sendo. Mas vamos ser sérios, alunos estão estudando em qual faculdade? Nas que estão há 100 dias de greve? Crianças estão frequentando que escolas? As que é um gasto exorbitante dedicar 10% do PIB para melhorar? Porque no momento de aumentar gastos com os projetos assistencialistas não há discussão, não há choro que é gasto excessivo, tanto é que somente esses projetos tiveram seus orçamentos aumentado. Isso é absolutamente natural nesse país que odeia conhecimento e as pessoas detentoras dele. Quando o ex-presidente chegava no palanque e dizia que não tinha diploma, falava errado, a multidão aplaudia e vibrava, porque durante anos pessoas graduadas estiveram no poder e falavam teorias econômicas e sociólogas que a multidão não entendia e que dizia-se iria melhorar o país. Elas cansaram de esperar e queriam dinheiro e queriam agora. Não querem conhecimento, faculdade pra que? Isso é luxo de pessoa que não precisa trabalhar para viver. Estamos construindo um país de operários, como sempre fomos.  

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Julgamento do mensalão – dia 1


Ontem, dia 02 de agosto, aconteceu o primeiro dia do julgamento dos acusados do esquema do mensalão. O dia foi tomado pela questão de ordem apresentada pelo advogado Thomaz Bastos pedindo o desmembramento do caso retirando do julgamento os casos de pessoas que não tinham prerrogativa de serem julgados pelo STF. Isso provocou uma discussão entre os ministros Lewandowski, revisor do caso votou a favor do desmembramento, e Joaquim Barbosa, relator do processo votou contrário à questão de ordem.


Dr. Thomaz Bastos, requerente da questão de ordem


Houve importantes argumentos apresentados nessa longa discussão. Joaquim Barbosa, o primeiro a manifestar o voto, pediu agilidade na discussão da matéria devido ao fato dela já ter sido discutida três vezes. Seu pedido foi prontamente frustrado pelo ministro Lewandowski, que fez um voto extremamente longo. A maior preocupação encontrada pelo revisor foi de que submeter cidadãos que não têm previsão constitucional de serem julgados pelo STF a esse julgamento iria privá-los do direito ao recurso da decisão. Ele baseou-se em decisões passadas do tribunal e em tratados internacionais de direitos humanos e direito a um julgamento justo. Os ministros seguintes fizeram votos rápidos. Ressaltaram que o caso já havia sido julgado antes e votaram por manter a decisão anterior, de não desmembrar o caso. Ministro Peluzo ressaltou da importância de fechar essas brechas para questões de ordem para assegurar que o processo não fique estagnado resolvendo assuntos já resolvidos. Ressaltou-se que o réu ser julgado pelo STF não faz de seu julgamento injusto devido o carater do tribunal está no alto da hierarquia dos tribunais, além disso, tratados internacionais não têm maior autoridade do que a Constiuição. Ministro Gilmar Mendes disse que é importante notar que se não fosse o fórum privilegiado, se esse caso estivesse espalhado por outros tribunais, ele prescreveria antes de chegar a julgamento. O único ministro que acompanhou o voto do revisor foi Marco Aurélio.

Este primeiro dia de julgamento já mostra um ponto de divergência entre o relator e o revisor do caso e um inevitável adiamento no calendário previsto pelo tribunal. Contudo, é visível a intenção dos juízes de agilizarem o julgamento o máximo possível. Um exemplo dessa intenção foi o fato do presidente do STF Ministro Ayres Britto negar uma questão de ordem que já havia sido discutida anteriormente. Não pode ser priorizado agilidade em detrimento do julgamento justo, mas é preciso perceber que já será um julgamento longo, com muitos réus e ficar preso discutindo questões de ordem irá apenas levar à prescrição de alguns casos.

Assim como o plenário decidiu hoje o STF julgar cidadãos que não tinham fórum privilegiado previstos pela constuição não fere seus direitos. Se assim fosse a constituição seria inconstitucional ao prever o fórum previlegiado para alguns réus. O que é um absurdo dizer que a constituição é inconstitucional. O próximo dia do julgamento será marcado pelo pronunciamento do Procurado da República que tem cinco horas para fazer sua acusação, que ele não deve usar tudo no mesmo dia, espero ou eu vou dormir em frente à televisão. Depois cada advogado terá uma hora para defender seus cliente, então teremos, no total, 38 horas de arguição da defesa. Será um longo julgamento e se você já está entediado, volte a assistir Não Vale a Pena Ver Nenhuma Vez. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O julgamento tão aguardado


Lembro de em 2007 ler no jornal o que foi considerado uma das maiores vitórias da justiça até então. O relator do processo do mensalão, o ministro do STF Joaquim Barbosa, e todos os outros ministros aprovaram o início do processo contra os 40 acusados de receberem o famoso mensalão entre outros crimes. Hoje, cinco anos depois, esse julgamento entra na reta final e espero ver um julgamento justo e a justiça sendo feita aos verdadeiramente culpados.


Ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão


Tudo começou em 2005 quando, acuado por recentes revelações da mídia sobre a corrupção nos correios, o então deputado federal Roberto Jefferson presidente do PTB, revelou a existência do que chamou de mensalão – pagamento mensal realizado pelos dirigentes do PT aos deputados para votarem a favor de seus projetos. Jefferson acusa o na época Ministro da Casa Civil, José Dirceu, de ser o idealizador do esquema. A partir dessa denúncia várias CPIs foram instauradas para investigar o caso, mandatos de deputados foram cassados incluindo os de Roberto Jefferson e José Dirceu e, por fim, o STF aceitou a denúncia dos acusados denunciados por crimes como formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta e evasão de divisas.


Roberto Jefferson, delator do escândalo


José Dirceu, acusado de ser o mentor do mensalão


Outros personagens importantes nesse escândalo foram Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, e José Genoíno – presidente do PT – que, segundo depoimento de Marcos Valério, do próprio Delúbio e extratos bancários, pagou R$ 55 milhões a 18 parlamentares. Valério era um publicitário de Minas Gerais que recorria a empréstimos para acobertar essa passagem de dinheiro. Em um primeiro momento todos os acusados negaram sistematicamente todas as acusações, mas logo que evidências foram surgindo eles passaram a defender a tese que esses repasses de dinheiro eram acertos de contas da campanha eleitoral.

O presidente Lula ficou famoso pela sua defesa “eu não sabia de nada”. Roberto Jefferson declarou que, no mínimo, o ex-presidente foi conivente com o caso, deixando-o ocorrer já que havia sido informado sobre o mesmo. Já segundo o deputado Valdemar Costa Neto ele não só sabia do caso mas como participou de vários encontros de repasses de verbas junto com Dirceu, Delúbio e José Alencar. A popularidade do ex-chefe de Estado era alta demais o que possibilitou sua reeleição no meio dessa crise, no segundo mandato seus programas sociais começaram a dar resultados e o seu envolvimento no escândalo foi “esquecido”.

Esse foi um período negro sem precedente na história brasileira, a reputação do senado foi gravemente abalada, presidentes da Casa caiam um atrás do outro. O papel do STF nesse julgamento mostrará a força da democracia brasileira e definirá um importante precedente para a moralização da política. É necessário um julgamento justo, sem uma caça às bruxas, do qual a verdade venha à tona. Eu sei que muitos defendem que todos sejam condenados, mas como ressaltei no texto A guerra que já foi longe demais – Parte 2 não é assim que se faz justiça.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Olimpíadas e o novo cenário bipolar do mundo


Raramente na história da humanidade houve períodos em que existiram mais de uma potência dominando o mundo e a maioria desses períodos foram de transição. Lembre-se o período do colonialismo em que Portugal e Espanha dividiam o mundo entre si, depois seguiu-se um período em que vários países europeus desenvolveram-se industrialmente, mas esse foi um período de transição e, após a Segunda Guerra Mundial, o mundo foi, novamente, disputado por duas super potências, Estados Unidos e União Soviética. Após o declínio da URSS emergiu um mundo multipolar novamente, os países europeus estavam fortes economicamente graças à União Européia e os países em desenvolvimento, os chamados BRICS, estavam também fortalecendo. Contudo, se seguirmos o exemplo da história esse período será transitório em direção a uma nova bipolaridade do mundo. Hoje dois sistemas econômicos destacam-se no cenário mundial: o velho capitalismo liberal dos Estados Unidos e o capitalismo comunista da China. O quadro de medalhas é um reflexo desse dualismo, no período da guerra fria as olímpiadas também refletiam a disputa entre as duas potências. Mas qual sistema será dominante, qual é melhor ou será que nenhum deles é melhor.

Quadro de medalhas - China e EUA na liderança

O crescimento da China é realmente impressionante, muito a frente de qualquer outro país em desenvolvimento e de muitos países desenvolvidos por sinal. Um país que no auge da crise imobiliária tinha crescimentos de 14%. Sem falar que ela é hoje um dos maiores credores dos Estados Unidos. Mas como esse espantoso crescimento vem sendo alcançado? Todos ouvimos falar de como os trabalhadores chineses trabalham em regime de quase escravidão e como as empresas americanas aproveitam isso para poderem vender iPads por trezentos dólares a americanos. Além disso o descuido com o meio ambiente, todos lembram dos chineses com máscaras proteras em Pequim. Em governos não democráticos o crescimento econômico raramente vem junto com transformações sociais, veja o “milagre econômico” do Brasil durante o regime militar. Regimes assim conseguem ver as coisas feitas com rapidez porque não discutem opções diferentes da defendida pelo governo, mas nem sempre o governo tem razão.


Chineses com máscara de gás; poluição na China

Muitos acreditam que o sistema econômico dos Estados Unidos é falido e ultrapassado, principalmente devido às recentes crises que sofreu. Contudo, julgar um sistema pelas suas falhas é injusto e simplesmente dizer que fracassou e defender outro sistema pode deixar de considerar vários pontos positivos do capitalismo americano. O capitalismo fracassado é o da década de 1920, em que o governo é uma figura de enfeite que deixa as pessoas fazerem o que quiserem, época em que uma empresa férrea lucrava mais não produzindo trens do que os produzindo. A especulação sem regulação. Contudo, os Estados Unidos é uma democracia – por mais que você seja um anti-americano e discorde disso – e existe discussão de ideias e projetos diferentes. Apesar de não haver ninguém de destaque defendendo sistemas como comunismo na américa, no máximo um capitalismo com características mais sociais como o governo de Obama, não veja isso pelo lado ruim, sonhar com um sistema que irá acabar com todas as injustiças não é só um delírio, como contrário a todas as características dos seres humanos. As mudanças em um sistema democrático podem ser lentas, mas elas acontecem, a crise no governo Bush foi um retrocesso a práticas econômicas já conhecidas por serem ineficientes.


Operadores da Bovespa nervosos durante crise


Um sistema de sucesso tem que permitir a livre discussão de ideias, o papel do governo não pode ser ditatorial regulando o que se deve pensar, como se deve agir, mesmo que se acredite que estejam fazendo pelo bem geral. Contudo, não é o governo do neoliberalismo, a mão invisível que deixa o mercado livre, é necessário haver regulações, para que as pessoas não pensem demais em si mesmas e esqueçam das outras pessoas. Um país para ser economicamente desenvolvido deve investir na sua classe média, uma classe média forte, consumindo, enriquece as classes mais altas que geram empregos para as classes mais baixas. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

A guerra que já foi longe demais – Parte 2


O post de hoje é uma continuação do post de ontem que começou com a intenção de falar sobre a guerra ao tráfico e os problemas que causam, mas eu acabei falando somente da macaconha. Isso que dá fazer posts drogado. Só estou brincando, não fiz o post drogado, eu não uso drogas, só facebook às vezes. Bem, o combate ao tráfico de entorpecentes como é feito atualmnte é muito custoso e não só em termos de dinheiro mas também em termos de vidas.

É comum hoje as pessoas dizerem frases como “Bandido bom é bandido morto”, aplaudirem quando aparece na televisão que policiais mataram não sei quantos bandidos, esbravejar indignadas quando um criminoso vai a julgamento que nosso sistema judicial é lento e só serve para colocar bandido na rua. É completamente compreensível porque fazem isso, afinal ninguém quer ser assaltado no caminho para o trabalho nem ter o filho ou amigo vítima da violência de um bandido. Além disso, é compreensível também porque o policial faz, afinal bandido não vai simplesmente sair com as mãos para cima e se render e durante a troca de tiros tanto bandidos quanto policias acabam feridos ou mortos. Agora, temos que parar de enaltecer essas tragédias como algo bom, bandido ou não, alguém morto não é algo para se festejar, muito menos desejar.

O nosso sistema judicial, o direito de ampla defesa, de um julgamento justo, não é uma panacéia para colocar bandido na rua. Ter vigilantes armados guardando as ruas, atirando antes de perguntar, subindo morros para executar vingança não é um sistema de justiça. Se preferirmos isso, então podemos queimar nossa Constituição, trocar o nome do Tribunal de Justiça para Tribunal de Vingança. “Olho por olho, dente por dente”, ou o novo matou merece morrer, não é justiça em nenhuma sociedade civilizada.


Na realidade a tarefa de perdoá-los cabe a um júri de seus semelhantes.



Como eu disse eu entendo porque a sociedade de certa forma acha esses eventos aceitáveis, o medo. Mas se o medo nos faz cego ele deixa de ser útil e passa a ser prejudicial. Em 1964 o medo de um golpe comunista no nosso país fez a sociedade aceitar os militares no poder, trocamos nossa liberdade por segurança e foi algo bom? Não se troca diretos fundamentais como vida e liberdade por segurança, não os troca por nada porque não há nada mais valioso. Se você ainda estiver pensando, mas são apenas bandidos eles não deviam ter tantos direitos quanto eu. Se um direito fundamental é negado a uma pessoa ele é negado a todos, assim que se abre uma excessão perde-se o controle, não há como prever quem será a próxima vítima de intolerância.

Como podemos esperar construir uma sociedade melhor se enaltecemos a prática dos mesmos crimes que estamos punindo contra os criminosos? Você realmente quer paz e segurança construídos em cima de assassinatos e torturas? Não estamos melhorando ao decaírmos ao nível dos bandidos, estamos nos tornando justamente o que odiamos. Eu sei que é difícil ver cenas como um menino sendo arrastado pelas ruas amarrado nas rodas de um carro e não desejar a morte do criminoso, mas lembre-se, ele é o criminoso e não nós, não devemos nos tornar pior do que ele só para puní-lo. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A guerra que já foi longe demais


Quando vemos as operações policiais contra os traficantes, principalmente nas favelas do Rio de Janeiro, inflama na sociedade o sentimento de que criminosos devem ser punidos – isso na maioria das vezes significa que devam ser mortos – e, principalmente, que essas operações trarão segurança para a cidade. Mas, quais os reais resultados dessa guerra de décadas contra as drogas ilícitas e mais qual o verdadeiro efeito que o uso delas causa no organismo humano?

Essas perguntas têm sido muito mal respondidas e a maioria das pessoas desconhece os verdadeiros efeitos e perigos que as drogas causam. Os seres humanos sempre usaram algum tipo de psicodélicos na vida, não existe uma única pessoa que nunca usou uma droga na vida. A droga exerceu, e ainda exerce, um papel fundamental na sociedade humana, principalmente em rituais religiosos, para entretenimento e por questões de saúde. Já imaginou um casamento sem álcool, um sacerdote indígena tendo revelações sem usar uma droga psicodélica ou alguém com dor sem usar um analgésico? Contudo, existem drogas que são condenadas pela opinião pública, dizem que viciam e podem colocar o usuário e as pessoas próximas em risco. Quanto dessa informação é realmente verdadeira? Em que estudos científicos elas se baseam?




O maior vilão atual, tirando o cigarro que apesar de ser legalizado seus usuários sofrem duras restrições ao seu uso, é a maconha. Até recentemente, usuários de drogas eram tratados como criminosos e estavam sujeitos a punições legais. Na formulação do novo Código Penal, assim como nas recentes decisões dos tribunais, usuários não serão mais criminalizados. O que é preciso enteder é que a guerra ao tráfico, como vem sendo abordada, mostrou-se ineficaz. Conquistas de morros por policiais e militares são mostradas como grande vitória, mas não fizeram a criminalidade diminuir, só a fez aumentar em outros locais. Caçar criminosos como animais não é a solução e muito menos é tratar usuários como criminosos. Países como Suécia há alguns anos passaram a tratar usuários como casos de saúde pública e, ao invés de prendê-los, disponibilizam locais devidamente higienizados para consumo de drogas com menos riscos à saúde. O que no Brasil seria visto como uma política para ajudar vagabundos. Na Holanda o consumo da maconha foi permitido e nem por isso o país se degenerou para um antro de drogados.


Vítimas da guerra ao tráfico. Tem que haver uma maneira melhor do que essa.


Você pode perguntar: mas usar drogas não faz mal para a saúde? Por que deveria ser permitido algo que faz mal para você? Como eu já disse no início do texto, não existe uma única pessoa que não usou droga na vida. Você acha que a aspirina que você ingere para curar aquela dor de cabeça do estresse diário é menos nociva do que a cocaína? Bem, pense de novo, porque o princípio ativo de que é feita a aspirina é justamente a cocaína. Como qualquer médico irá te dizer, todo medicamento, se usado em dosagens inadequadas a você, pode ser fatal. A mesma coisa vale para as drogas psicoativas. Portanto, a questão não é ter medo do seu efeito e repudiá-las totalmente, o ponto é aprender a conviver com elas e com seus usuários. Estudos mostram que a maconha é, comparativamente, menos prejudicial do que o tabaco e o álcool, e que, se corretamente usada, uma pessoa adulta dificilmente sofrerá algum efeito colateral. Mas é lógico que ninguém ouve falar desses estudos, porque os cientistas que os fazem são rigidamente sensurados pela comunidade científica e pelos governos.

Os efeitos medicinais da maconha já são conhecidos, tanto é que em alguns locais ela já vem sendo empregada para reduzir os efeitos da quimioterapia durante o tratamento de câncer. Porém, sua utilidade transcede o uso medicinal, e também o recreativo. A maconha pode ser usada na produção de cremes e loções – importantes na indústria de cosméticos, bio-plástico pode ser feito a partir dessa plantas também. Feiras dedicadas a esse assunto, e a mostrar as novas possibilidades do uso da planta, são realizadas em vários países na Europa.

Refrigerantes a base da maconha



Hidratante a base de maconha.


O que é preciso são verdareiras camapnhas de conscientização da população sobre os reais efeitos das drogas. Algumas continuam ilegais porque as pessoas não são devidamente informadas sobre elas e recebem informações erradas e manipuladas. A guerra ao tráfico como ação policial fracassou, é um custo excessivo, não só de dinheiro, mas de vidas também. 


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Se você quiser saber mais recomendo esse documentário, dividido em 6 partes.