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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Traços mitológicos na Bíblia - Tomo I

Muitos cristãos orgulham-se da originalidade dos mitos e lendas contidos no seu livro sagrado, porque esses escritos foram divinamente inspirados por uma divindade superior, mas a civilização humana tem uma história de mais de 10.000 anos - não a Terra não tem 4.000 anos, supere isso - e acreditar que esta foi a primeira vez que o ser humano tentou explicar o mundo ao seu redor é viver em uma bolha. Existiram várias religiões antes da escrita da Bíblia e ela absorveu esses mitos, hoje consideramos mitos, mas na época eram as religiões oficiais, e podemos ver claras referências a eles. Então, se Deus inspirou um livro original de histórias sobre a origem do mundo, ele tem que explicar porque elas parecem-se tanto com outras também inspiradas por outros deuses. Hoje vamos ver as semelhanças entre o livro de Gênesis e mitos nórdicos, passando pela Árvore da Vida, a serpente que tentou Eva e os próprios Adão e Eva.


Na criação Deus plantou duas árvores no Jardim do Éden, uma do conhecimento sobre o bem e o mal e outra da Vida, como todos sabem Adão e Eva foram proibidos de comer da árvore do conhecimento, desobedeceram e condenaram a humanidade, depois dessa desobediência Deus os expulsou do paraíso para evitar que comessem o fruto da outra árvore. 

"Javé Deus fez brotar do solo todas as espécies de árvores formosas de ver e boas de comer. Além disso, colocou a árvore da vida no meio do jardim, e também a árvore do conhecimento do bem e do mal." (Gênesis 2:9)

"Depois Javé Deus disse: "O homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Que ele, agora, não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre". (Gênesis 3:22)

A árvore da vida é mencionada em alguns outros trechos da Bíblia, mas não acredita-se que se refiram à mesma árvore do livro de Gênesis, de qualquer forma estas passagens serviram para o meu propósito aqui. Há referências à uma árvore que concede a vida eterna a quem dos seus frutos coma em outra culturas antigas, e uma dessas é a cultura nórdica. Yggdrasil era uma árvore colossal que servia como eixo do mundo e unia os nove reinos da mitologia nórdica. Os deuses mitológicos habitavam o mundo chamado Asgard, localizado na parte mais alta da árvore, e alimentavam-se de seus frutos para obter a vida eterna. 

Yggdrasil

Assim como a árvore da vida, a serpente que tenta Eva pode ser referência a outra serpente presente em mitos nórdicos, chamada de Jormungard. Como todos sabem foi uma cobra que tentou Eva a comer do fruto proibido por Deus e foi amaldiçoada por este. Jormungard era um demônio em forma de serpente que circundava toda a Terra, ela, lógico, não tenta ninguém com um fruto proibido, isso é reservado ao cristianismo, mas podemos entender facilmente o fruto do conhecimento do bem e do mal. Não estava presente nas grandes religiões, Grega e Nórdica, esse dualismo de bem contra o mal. Não existe um inferno, onde as pessoas más são enviadas após a morte, todos os mortos vão para o Mundo dos Mortos, seja bom ou mal. A exceção é para os bravos guerreiros, que são enviados para um local de honra. Já nas religiões que adotam a Bíblia como livro sagrado existe a definição de atos bons e ruins, e as pessoas consideradas boas são recompensadas após a morte e as ruins são condenadas. 



Adão e Eva, os primeiros homens, ou será que não? O fim do mundo, a última batalha entre deuses e demônios, na mitologia nórdica é chamado de Ragnarok. Todos morreriam no fim dessa última grande guerra, exceto um casal de humanos que se esconderiam dentro do tronco da árvore Yggdrasil. Este casal seria responsável por repopular o planeta. 

Evidente que isso poderia ser entendido como coincidência, ou ainda como forma de reafirmar a veracidade do texto bíblico, afinal outras culturas pensaram da mesma maneira, mas será que outras culturas inspiraram-se na Bíblia ou foi o contrário? Claro que do ponto de vista histórico foi o contrário. Quando o cristianismo começou a ser difundido entre as culturas nórdicas houve uma grande resistência na aceitação dessa nova religião, principalmente pelos líderes desses povos. A maneira que os líderes cristãos encontraram para difundir sua religião foi casar o Ragnarok, fim do mundo na mitologia nórdica, com o começo do mundo na mitologia cristã, como uma forma de dizer, seu mundo acaba onde o nosso começa. Foi com esse intuito que a história de Adão e Eva adiciona à Bíblia. A verdade é, a Bíblia não é uma originalidade divinamente inspirada, é apenas a reunião de mitos e lendas já comuns no mundo antigo. 

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As melhores histórias da mitologia nórdica
Este livro reúne as principais lendas relativas à mitologia dos povos que habitaram, nos tempos pré-cristãos, os atuais países escandinavos (Noruega, Suécia e Dinamarca), além da gélida Islândia. Este conjunto de mitos também teve especial desenvolvimento na Alemanha, a grande divulgadora da cultura dos nórdicos. Com a expansão das navegações vikings, esta difusão alcançou os povos de língua inglesa e deixou sua marca na própria denominação dos dias da semana destes países (Thursday, por exemplo, é o 'dia de Thor', e Friday, 'dia de Freya'.)



Ragnarok - O Crepúsculo dos Deuses
Neste livro, autora traz o conhecimento de várias eras sobre a cultura e mitologia nórdica. Ela oferece ao leitor respostas sobre a considerada verdadeira história de 'Thor' por trás dos quadrinhos e do filme da Marvel Comics; explica o significado de muitos dos mitos encontrados em games, como 'Ragnarök', e animes, como 'Os Cavaleiros do Zodíaco'. Além disso, o leitor poderá descobrir o significado do Apocalipse Nórdico, conhecerá as influências literárias de J.R.R. Tolkien, os mitos que deram origem à Tetralogia do Anel ou O Anel dos Nibelungos, as ligações entre a mitologia grega e a nórdica e o renascimento da mitologia nórdica em seu contexto sagrado, nas religiões Asatrú e Odinismo.

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